A paz é como Aquele suspiro, Leve e inocente, Que a gente Dá durante o sono.
Tem a leveza De uma folha De outono. E a delicadeza De uma bolha de sabão.
É a gostosa Sensação De quem Termina a lição. Ou encontra Um bichinho Perdido. Ou visita Um amigo Querido.
Paz é Andar Descalço, Onde tudo É verdadeiro E nada é falso. Onde tem paz, Não tem criança Pedindo esmola Na rua. Não tem poluição Escondendo A lua.
Paz é Futebol sem briga. Pic-nic Sem formiga. Cidade Sem ladrão. Não ter medo De injeção. Vampiro Sem dente. O tristonho, Contente. Paz é Colo de mãe E abraço De pai.
Outro dia, Quietinho num canto, Olha só O que eu pensei: A paz é Tão boa, Mas Tão boa, Que devia Ser lei.
Naticongo
Tinha a coragem e a calma de um Rei
Os mais ferozes mares enfrentou
Seus inimigos não puderam ver
Segredos da sua força contra a dor, e
Seus olhos liam além do amanhecer
Suas palavras transformavam leis
Todos queriam ser como ele foi
Ninguém sabia que era infeliz
Queria saber (queria saber)
Que faltava então ?
Não queria viver (não queria viver)
Essa dor no coração
Pois até um rei
Despeja lágrimas por não ter o seu grande amor
Queria saber se é bom ou ruim
Em ter uma flor tão linda assim
Com o azul do céu e o brilho do mar
E olhos de mel pra iluminar
Larararara, ôôô
Se ajoelhou como servo pela primeira vez
Dizendo já sofrer demais, oi
Saber sobre os céus e a floresta não lhe foi em vão
Sem eles, não teria a paz
Pra acreditar
Queria saber se é bom ou ruim
Em ter uma flor tão linda assim
Com o azul do céu e o brilho do mar
E olhos de mel pra iluminar
Larararara, ôôô
Sofremos pelo que não temos, e muitas vezes, pelo que acreditamos que era nosso, e na verdade, nunca foi.
Sofremos, pela incerteza do amanhã que não nos pertence, mas que tentamos controlar.
Sofremos pelas amizades e afinidades que tentamos dominar, possuir sem medidas, e que se afastam de nós.
Sofremos pela doença que podemos ter, pela gripe que pode virar bronquite, e nos abatemos.
Sofremos pelo medo do imponderável, pelo que não podemos medir, pelo que não vemos, mas as vezes, podemos ouvir, e nos trancamos.
Sofremos pelas nossas faltas, e nos abatemos com as dificuldades que criamos, e estagnamos.
Por isso, as notas que não tiramos, as provas que não passamos, os amores que não vivemos, o abraço que perdemos, os cadernos amarelados, os cheiros da infância, a velha chupeta guardada ou perdida, são doces lembranças, mas até nelas, sofremos.
Sofremos, porque não queremos nada simples, nem simplesmente viver, em simplesmente amar.
Temos medo de nos entregarmos
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definitivamente ao amor, medo de sofrer uma dor maior, por isso, sofremos, até pelo que não sabemos.
E, hoje, sabendo que o sofrer é uma antecipação da dor que nem sempre viveremos, vou procurar conquistar aquilo que realmente me cabe, e se a dor me visitar, vai me encontrar mais forte, porque tenho a exata medida de tudo o que já passei, e sou o fruto maduro dessa árvore chamada, vida.